Thursday, December 07, 2006
Der Spiegel
O grito de Fátima é aterrador e angustiante. A garota, que parece ter cerca de oito anos de idade, grita em pânico, no início devido ao medo, e depois por ser incapaz de suportar a dor pela qual está passando. Ela está deitada no chão de uma cabana de pau-a-pique em algum lugar no deserto etíope. O seu corpo se contorce de dor à medida que ela grita, chora e, finalmente, fica deitada choramingando. O seu vestido novo, verde com estampas floridas, está ensopado de sangue.Dois homens e a mãe dela pressionam essa criança delicada contra o solo e abrem as suas perninhas finas. Uma mulher velha se agacha em frente a Fátima, empunhando uma lâmina brilhante e uma grossa agulha de cerzir. Hoje é o dia em que Fátima se transformará em uma mulher. Uma mulher decente.A agulha grossa serve para levantar os lábios da vulva a fim de facilitar o corte destes. A mulher velha coloca a lâmina na posição. Primeiro ela corta os pequenos lábios da vulva e a seguir o clitóris. Há sangue por toda parte. A garota arqueia o corpo pequeno, coberto de suor. A mulher joga freqüentemente um líquido leitoso sobre a ferida para prevenir infecções. A seguir a avó da garota entra na cabana, apalpa a ferida e pede a mulher velha que faça um corte mais profundo. O processo recomeça. Os gritos de Fátima são quase insuportáveis. Se a imagem desta menina passando pela circuncisão feminina é tão difícil de suportar, como é que ela consegue agüentar a dor?Finalmente o trabalho é concluído. A ferida é fechada com espinhos. Apenas uma pequena abertura é deixada. Um pedaço de palha é inserido neste pequeno orifício para impedir que ele se feche. A seguir as pernas de Fátima são amarradas juntas com uma corda para permitir que a ferida cicatrize. Ela ficará de cama, com as pernas amarradas desta forma, durante várias semanas.A mulher velha conclui a sua tarefa bárbara com um tapa nas costas da menina. Agora Fátima é uma mulher.
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1 comment:
Não dá pra julgar como bárbarie... Dói, machuca e parece cruel demais para os teus olhos ocidentais.
Mas a coisa está lá dentro, enraizada numa cultura extremamente complexa e diferente da sua.
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