Eu sou novinha, quase idade de adolescente. Minha aparência é de mais nova ainda. Cool. Quem não viu a análise das minhas sardas, rugas e as mechas de cabelo branco pode crer que se trata de uma pessoa que acaba de entrar na casa dos 20. E apesar de tão nova assim, carrego algum tipo de bagagem. "Mais do que ontem e menos do que amanhã" - esta é a frase. Passei um período desiludida com a minha profissão. Então, comecei uma faculdade que me permitisse dormir jornalista e acordar qualquer outra coisa A crise passou, a ansiedade passou. Vejo que minha profissão exige ética, que nem todos possuem.
Aí, veio a desilusão com a política. E o meu voto foi jogado no lixo. Lamento muito os corações bondosos e românticos que ainda acreditam em algum tipo de revolução. O PAC dita que vem do Estado o crescimento, mas acho que isso nunca aconteceu em lugar algum e em momento algum da história. Corrijam se for falta de informação minha.
Logo depois eu tive uma grande decepção com um amigo. Acreditei de verdade que eu era querida e importante. O meu comportamento com ele e tantos outros demonstra 0% de interesse e me feriu muito a confusão de intenções. Ainda assim, saí culpada por todo mundo que viu a situação acontecer.
Nesta mesma época, encontrei uma pessoa que me fez voar, perder a cabeça! A ela eu dei mais do que poderia e deveria. Foi muito tempo de investimento até a verdade ser cuspida. Então, mais uma decepção. Acabou o ideal de relacionamento feliz, de casais que se respeitam, de gente que ama o outro e a si de forma equilibrada... uma doação além. Descobri que a traição é um escape muito comum, que TODOS os homens traem em algum momento, por melhores e mais dedicadas que sejam suas mulheres. Descobri que muita gente acha uma vergonha o que eu admiro tanto, um casal junto, vivendo junto e construindo junto. Abri mão dos sonhos dos relacionamentos padrão. Casamento? Filhos? Amor? Nada disso. Essa pessoa tirou de mim qualquer possibilidade de sonho, de emoção, de verdade em sentir. Tudo precisava ser ligado ao cérebro e ao pensamento de que, sozinho, se vive mais e melhor. Eu acreditei nessas palavras, pensei sobre elas, vi lógica... achei muitos filósofos que pensavam assim e acabei com "as belas mentiras" sobre a vida... nada de contos de fada, Camila. A vida real é quase Nelson Rodrigues, mas sem o cinismo inteligente e a paranóia típica. A coisa é baixa mesmo.
Mas a vida muda, graças a Deus que muda. E tudo de bonito, bacana e bonito que eu tinha está sendo sugado e valorizado. Legal não ter vergonha de dizer que eu acordo e durmo pensando em pequenas coisinhas para fazer outra pessoa feliz. Eu não consigo desligar enquanto não penso em tudo o que aconteceu no dia, cada mensagem, cada beijo, cada frase, cada carinho. E hoje eu me sinto melhor do que quando tinha a lucidez dos grandes pensadores, melhor do que quando o meu cérebro comandava minhas ações. Hoje, acho que em algumas coisas manda o coração e, em outras, o cérebro. Equilíbrio e paz entre eles.
Thursday, February 15, 2007
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4 comments:
Camis
a vida é como o mar...sete ondas fortes e depois a calmaria...lindo o seu post, suave e feliz..como a vida deve ser...meu lema,meu mantra pra esse ano...além do feijão com arroz, a obrigação nossa de cada dia como dignidade e felicidade tb a sauvidade...é isso quero um 2007 suave. Bjokas Ju
"A vida é combate que aos fracos abate, a aos fortes e bravos só pode exaltar."
Gonçalves Dias
Que lindo!!!! Me arruma uma amiga sua legal que nem o seu namô novo??? Juro que cuido bem dela, hehehe
que bonito esse post, cá. A vida é assim mesmo, um sobe e desce. Como a gente nunca sabe onde estaremos amanhã, o segredo é buscar o equilibrio.
bjos!
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